Esta semana aconteceu algo
realmente novo comigo. Em um momento totalmente aleatório, tive a inspiração
para escrever como nunca fiz antes. Me perdoem os entendidos da língua: não
entendo nada de poesia, poema, métrica... Só escrevi.
Depois, conversando com
uma colega, ela disse que havia pedido uma resposta muito tempo atrás, e eu
tinha acabado de entregar a resposta para ela.
Disponibilizo aqui, caso
seja a resposta para mais pessoas que, por acaso, tenham pedido por ela. Boa leitura.
Nós temos sorriso largo
Temos carinhos de sobra
Compartilhamos alegrias
Damos conselhos
Sabemos ouvir
incansavelmente
E somos o ombro amigo de
quem vier
Temos raiva de pessoas que
fazem coisas erradas
Apreciamos comidas e
bebidas
Somos fãs de chocolate quente
E, sobretudo, amamos
inteiramente
Porém, todas as noites
Antes de pegar no sono e
de sonhar com o nada
Sofremos
Choramos e nos
desesperamos
O vazio imenso nos engole
A escuridão nos aprisiona
A dor se faz física
E não há mais vontade de
lutar
Temos sonhos que nunca se
realizam
Trabalhos que nunca são
reconhecidos
Ideias que nunca são
utilizadas
Amor que ninguém quer
compartilhar
Temos um único fio de
esperança em que nos agarramos
Mas, se ele se partir,
desistimos de lutar
E damos fim a própria vida
Num sussurro
Ou em um último grito
desesperado
No silêncio
Ou na turbulência da vida
alheia
E ninguém vê
E ninguém quer ver
E se alguém vê, ignora
Ou ainda ofendem
Ameaçam
Julgam
Mas a maioria não sabe
A maioria vê apenas os
sorrisos largos
Os carinhos que oferecemos
As alegrias que
compartilhamos
Só querem os nossos
conselhos incríveis
Serem ouvidos sem
julgamentos
Um ombro amigo...
E entendemos.
E o mundo esquece que
também precisamos disso
Que também temos sonhos
Que sofremos muito além do
que achamos que somos capazes
Todas as noites são vazias
Sofridas
Com lágrimas
Com dores
E com sonhos não
realizados.
Tentamos auto-ajuda
Terapia
Psicólogo
Psiquiatra
Mas não temos dinheiro
para tudo
É caro. Muito caro.
Tentamos Anjos
Deuses
Universo
Ho’oponopono
Amigos
Família
E os anjos voam embora
E os Deuses brincam de
“dar e tirar”
E o Universo deixa
acontecer
E Não conseguimos nos
perdoar
E os amigos nos traem - de
novo.
E a família julga.
E a dor aumenta
E o vazio nos engole em
uma proporção surreal
Não há mais nada
Não há vontade de viver
Não nos encaixamos neste
mundo
As pessoas são cruéis
Os dias não têm cores
A política é corrupta
As pessoas são
superficiais
Mentiras
Hipocrisia
Total falta de amor
E nós só queremos amar e
ser amados
Só queremos compartilhar
dias coloridos
Queremos ajuda
desesperadamente
E ninguém nos vê
Ninguém enxerga o
desespero estampado nos nossos olhos
Ninguém nos estende a mão
para nos socorrer
Mas porque não há como
socorrer
Ninguém pode obrigar outro
alguém a amar
Ninguém pode manipular o
livre arbítrio
Ninguém pode arrancar a
dor dos nossos corações
Quando perdemos alguém que
amamos
Nem nos devolver a
dignidade
Quando não encontramos
emprego
Nem nos ensinar
Coisas que não são
possíveis de aprender
São palavras vagas
Palavras soltas como nossa
mente
Como nossos pensamentos
Que voam e flutuam no
vazio
São desabafos
Para quem não nos ouve
Para quem não nos vê
Porque ainda temos um fio
de esperança
E porque, talvez, ele
ainda não tenha arrebentado.
Vanessa Fiorenza
30 de junho de 2016
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