domingo, 3 de julho de 2016

Esta semana aconteceu algo realmente novo comigo. Em um momento totalmente aleatório, tive a inspiração para escrever como nunca fiz antes. Me perdoem os entendidos da língua: não entendo nada de poesia, poema, métrica... Só escrevi.
Depois, conversando com uma colega, ela disse que havia pedido uma resposta muito tempo atrás, e eu tinha acabado de entregar a resposta para ela.

Disponibilizo aqui, caso seja a resposta para mais pessoas que, por acaso, tenham pedido por ela. Boa leitura.


Nós temos sorriso largo
Temos carinhos de sobra
Compartilhamos alegrias
Damos conselhos
Sabemos ouvir incansavelmente
E somos o ombro amigo de quem vier
Temos raiva de pessoas que fazem coisas erradas
Apreciamos comidas e bebidas
Somos fãs de chocolate quente
E, sobretudo, amamos inteiramente

Porém, todas as noites
Antes de pegar no sono e de sonhar com o nada
Sofremos
Choramos e nos desesperamos
O vazio imenso nos engole
A escuridão nos aprisiona
A dor se faz física
E não há mais vontade de lutar

Temos sonhos que nunca se realizam
Trabalhos que nunca são reconhecidos
Ideias que nunca são utilizadas
Amor que ninguém quer compartilhar
Temos um único fio de esperança em que nos agarramos
Mas, se ele se partir, desistimos de lutar

E damos fim a própria vida
Num sussurro
Ou em um último grito desesperado
No silêncio
Ou na turbulência da vida alheia

E ninguém vê
E ninguém quer ver
E se alguém vê, ignora
Ou ainda ofendem
Ameaçam
Julgam

Mas a maioria não sabe
A maioria vê apenas os sorrisos largos
Os carinhos que oferecemos
As alegrias que compartilhamos
Só querem os nossos conselhos incríveis
Serem ouvidos sem julgamentos
Um ombro amigo...
E entendemos.

E o mundo esquece que também precisamos disso
Que também temos sonhos
Que sofremos muito além do que achamos que somos capazes
Todas as noites são vazias
Sofridas
Com lágrimas
Com dores
E com sonhos não realizados.

Tentamos auto-ajuda
Terapia
Psicólogo
Psiquiatra
Mas não temos dinheiro para tudo
É caro. Muito caro.

Tentamos Anjos
Deuses
Universo
Ho’oponopono
Amigos
Família

E os anjos voam embora
E os Deuses brincam de “dar e tirar”
E o Universo deixa acontecer
E Não conseguimos nos perdoar
E os amigos nos traem - de novo.
E a família julga.

E a dor aumenta
E o vazio nos engole em uma proporção surreal

Não há mais nada
Não há vontade de viver
Não nos encaixamos neste mundo
As pessoas são cruéis
Os dias não têm cores
A política é corrupta
As pessoas são superficiais
Mentiras
Hipocrisia
Total falta de amor

E nós só queremos amar e ser amados
Só queremos compartilhar dias coloridos
Queremos ajuda desesperadamente
E ninguém nos vê
Ninguém enxerga o desespero estampado nos nossos olhos
Ninguém nos estende a mão para nos socorrer

Mas porque não há como socorrer
Ninguém pode obrigar outro alguém a amar
Ninguém pode manipular o livre arbítrio
Ninguém pode arrancar a dor dos nossos corações
Quando perdemos alguém que amamos
Nem nos devolver a dignidade
Quando não encontramos emprego
Nem nos ensinar
Coisas que não são possíveis de aprender

São palavras vagas
Palavras soltas como nossa mente
Como nossos pensamentos
Que voam e flutuam no vazio
São desabafos
Para quem não nos ouve
Para quem não nos vê

Porque ainda temos um fio de esperança
E porque, talvez, ele ainda não tenha arrebentado.


Vanessa Fiorenza
30 de junho de 2016