Hoje estive pensando na minha
infância... Naquele tempo mágico, cheio de diversão e felicidade que não volta
mais. Inocência, doçura, travessura, amizades, carinho, amor...
O estranho foi prestar atenção no meu
pensamento. Foi prestar atenção no quanto uma música pode nos levar a lugares
inimagináveis ou até lugares muito presentes em nossas mentes.
Naquela época da minha infância,
lembro-me de criar histórias de máquinas do tempo e, o que eu não esperava, é
que minha própria mente pudesse ser essa máquina, e que pudesse me levar de
volta ao passado de uma forma tão real.
Foi tão simples...
Eu estava assistindo ao remake que
está sendo exibido no SBT,da novela Carrossel. Ora, quem assistiu a primeira
versão lembra-se o quão amável era o Cirilo, a meiguice da Professora e da
música de abertura. Essa música foi a chave para o meu passado esta noite.
Surgiu em minha mente como se eu
estivesse ali, vendo tudo... éramos pobres; meu pai trabalhava em obra e minha
mãe ficava em casa para cuidar de mim. Não tinha quase casas no nosso bairro e
a minha família era a mais feliz do mundo.
Meu guarda roupas laranja sendo
devorado pelos cupins... tão pequeno, tão mimoso. Meu berço era feito de vime,
e eu já não cabia mais nele. E nosso quarto, sim, “ nosso”: dormíamos nós três
onde mais tarde seria a sala. O chão de piso cru, úmido e frio e ao mesmo tempo
era tão aconchegante. Tínhamos tudo, pois éramos nós três: meu pai, minha mãe,
e eu.
Como eu não cabia mais no berço, e
meus pais não tinham dinheiro para comprar uma caminha, meu pai fez uma cama
para mim. E o tanto amor depositado nela, a fez durar até hoje. Sim, é a minha
cama! A cama em que durmo todos os dias.
E a música continuava a tocar, e a
maquina do tempo me levava a cada vez mais cenas deste passado de uma época
completa. O cachorro Rabito do meu pai, as comidinhas deliciosas da minha mãe, as
artes seguidas das palmadas de ambos... Tanto amor.
E em segundos a musica acabou. A maquina
do tempo foi desligada, e eu voltei ao mundo atual. Um mundo em que meu pai não
está mais comigo, em que a inocência não faz mais parte do dia a dia, em que as
brincadeiras de esconde-esconde não existem mais.
É! O passado não volta, mas as
lembranças ficam guardadas para sempre em nossas mentes. Graças a estas
lembranças, que podemos crer que assim como há bons amigos que se vão, novos e
melhores entram na nossa história. Bem como há pessoas que amamos que nos
deixam, aprendemos a lidar com a saudade. Há vitórias e derrotas constantes.
Enfim, muito aprendemos com o tempo e com nossas experiências do passado gravadas
em nossas lembranças.
O que não posso admitir é que aquela
felicidade e vida completa, não voltem a existir. Ninguém deve admitir. Jamais
será a mesma história, mas pode ser uma história nova tão completa e feliz
quanto.
Voltar ao passado me fez pensar no
carinho que tenho que dedicar àqueles que amo, nas atitudes boas que devo ter
com a minha vida e com a dos que eu quero bem além da doçura que devo tratar as
outras pessoas. O tempo não volta, mas posso fazer um futuro tão mágico quanto
o da minha infância.
Acreditar é o primeiro passo.
A vida é fácil, a gente é quem
complica.
Vanessa
Fiorenza
25
de maio de 2012