segunda-feira, 3 de novembro de 2014

RESOLVENDO PROBLEMAS: Carta para mãe

Tem coisas que não se ensinam e temos que aprender com nossas próprias experiências. Por isso, fazem algumas semanas que eu fui inspirada a escrever uma carta para minha mãe. Resolvi escrever porque, até aquele momento, nós vínhamos brigando muito e eu me sentia sufocada e presa, mas a amava mais do que qualquer pessoa e não achava de jeito de conversar com minha mãe.
Que essa carta, possa inspirar filhos que se sentem presos ou sufocados (desconsiderar dramas de adolescentes rebeldes), ou mães, que estão superprotegendo seus filhos. Comigo deu certo, e hoje, meu relacionamento com minha mãe é divinamente melhor.
Nada acontece por acaso... a vida é fácil, a gente é quem complica.


RESOLVENDO PROBLEMAS
Mãe;
Quero te falar coisas que você não escuta. Quero te mostrar coisas que talvez, falando, eu não tenha paciência. Quero te explicar coisas que, talvez, eu não tenha jeitinho para dizer. E, de repente, me deu vontade de escrever. Sempre me dei muito bem para expressar sentimentos e emoções através das palavras escritas e, acho que assim, você vai me entender melhor.
Primeiro eu quero que tu saibas que eu te amo. Amo incondicionalmente, amo mais do que qualquer pessoa neste mundo e mais do que a mim mesma. Eu te agradeço com todo meu coração por absolutamente tudo que tu fez e faz por mim e para mim. Cada comida preparada com amor, cada roupa lavada com carinho, cada noite difícil de dormir por se preocupar comigo, por todas as vezes que me ajudou, me acompanhou, me incentivou, mas, principalmente, por todo carinho e amor que tu tem por mim.
Eu entendo cada preocupação e tudo que tu faz por mim, mas tu sabe que continua me sufocando, né?! Já conversamos sobre isso tantas vezes, mas tu esquece. Sabia que tudo que eu faço, mesmo tendo 29 anos, é pensando em ti? Eu não vou em lugar algum sem te avisar, eu não fico fora de casa até tarde sem te avisar, eu não vou no mercado comprar um salgadinho sem te avisar, eu não faço nada sem pensar em ti. E eu não estou vivendo minhas experiências, sejam elas boas ou não, porque penso somente no que tu não ia querer, como uma criança indefesa.
Eu estou presa a ti e tudo que eu penso em fazer eu preciso antes do teu consentimento. Eu não consigo caminhar com as minhas próprias pernas, levar meus tombos e levantar sozinha. Tu não deixa. Tu não me deixa viver com liberdade.
Tudo que mais quero nesta vida é te ver feliz e inúmeras vezes eu deixei de fazer coisas que me fariam feliz em determinados momentos, porque tu queria, simplesmente, que eu estivesse em casa, por exemplo. E então, quando isso acontecia, eu acabava de mau-humor e a gente brigava. E eu falava para ti sobre tu estar me sufocando, e mesmo assim, tudo continua acontecendo.
As vezes eu penso que tu, porque saiu de casa tão nova, precisou trabalhar, enfrentou dificuldades, não quer que eu passe por situações parecidas, e me superprotege; mas tu, mãe, com 29 anos, provavelmente era uma pessoa livre. Fazia as coisas que julgava serem boas ou ruins pra ti e sofria as consequências de cada uma delas, aprendendo com cada situação. Aprendeu durante toda tua vida, com tuas próprias escolhas. E assim é vida.
E tu percebe que eu não consigo fazer isso? Tu percebe que tudo que acontece comigo é tu quem sofre? Se eu não tenho dinheiro, tu que se preocupa, mas se eu tenho dinheiro, tu que te preocupa também. Se eu vou sair, tu te preocupa, mas se eu vou ficar sozinha em casa, tu preocupa também. Se eu vou sair de carro tu preocupa, e se eu vou sair de ônibus tu preocupa do mesmo jeito. Se eu vou encontrar pessoas tu te preocupa, se eu vou sair sozinha, tu te preocupa de qualquer forma. Tu te preocupa se eu vou comer, beber água, dormir, acordar no horário... Para tudo é assim. Parece que, por ti, eu ficava a vida inteira encerrada em casa, sempre ao alcance dos teus olhos e fazendo o que tu quer, do jeito que tu quer.
Todos os homens que se aproximam de mim eu penso primeiro em ti. Penso no que tu quer para mim, penso que não são pessoas que tu vai gostar. Eu me afasto de todos porque sei que tu vai achar ruim, vai ver defeitos e vai dizer sempre que eu mereço coisa melhor. Só que esse melhor nunca aparece e eu acho que não aparece, porque eu estou procurando algo pra ti. Não estou preocupada com o que vai me fazer bem, estou preocupada com o que tu quer. E isso não é certo. Isso está me prejudicando, infelizmente.
Acho que a única coisa com que tu não te preocupa é com o meu trabalho e, provavelmente, não te preocupa porque eu quase não falou sobre ele contigo. E tu consegue entender que isso não me deixa feliz? Tu consegue entender que isso me sufoca, me deixa triste porque eu penso que “se eu fizer tal coisa a mãe vai ficar braba”, ou “vai ficar triste”, ou sei lá o que. Sempre penso em ti porque eu te amo; eu sempre penso no que tu quer para mim, mas isso não está certo. Eu não estou vivendo para mim, eu estou vivendo para ti.
Tu já reparou que tu sempre tem um drama? Sempre uma dor, um sentimento de tristeza e aflição? Desde antes do pai morrer, tu nunca está completamente feliz. E eu sempre sinto como se a culpa fosse minha, como se tudo que eu fizesse te magoa. Se tu fica doente, eu penso logo que é porque tu te preocupa de mais comigo e que eu não estou fazendo nada certo pra ti.
Mas mãe, mãe amada, eu não posso viver minha vida para ti. Assim como tu viveu tua vida e aprendeu com teus os erros, eu também quero (E PRECISO) viver a minha e aprender com os meus erros. Tu consegue entender? Eu sempre vou te dizer se vou sair, se não tenho hora para chegar, se posso pagar as coisas, se vou jantar, se preciso levar comida e tudo isso que tu precisa saber para não ter que te preocupar.
Eu tenho lido muitos textos espíritas e eles têm me ajudado bastante a ter mais calma, a ter mais paciência, a ser mais feliz. Muitas vezes levo para ti, para ver se te ajuda também, mas não sei se tu lê. Eu li o livro a Magia e achei tão bom, aprendi a agradecer por tanta coisa que Deus me deu. Aprendi a agradecer pela minha vida, por minha família e por todo amor que eu tenho de ti e tive do pai. Te dei o livro para que tu possa acalmar teus pensamentos e pensar em ti, em viver o teu agora. Queria que tu conseguisse ver somente as coisas boas também, mas queria que visse as coisas boas em mim, que visse que eu sei me cuidar e sei como me comportar quando as coisas acontecem.
Queria que tu enxergasse, todos os dias, que eu não sou mais criança. Eu não sou burra. Eu não sou tão inocente. Eu não sou irresponsável. Eu não uso drogas. Eu nunca tomei um grande porre. Eu nunca joguei dinheiro fora. Eu trabalho honestamente. Eu sou formada. Eu quero estudar ainda mais. Eu sei amarrar meus tênis. Eu sei os lugares que posso ir e vir em segurança. Eu nunca passo fome. Eu não sou mãe solteira. Eu não tenho nenhuma doença. Eu procuro sempre fazer o que é melhor para minha saúde. Eu sei onde deixar o carro. Eu sei o telefone do guincho se o carro estragar. Eu não vou beber e dirigir. Eu não vou ficar sozinha em paradas de ônibus. Eu vou usar camisinha. Eu não vou reagir em caso de assalto. Eu vou ligar se acontecer alguma coisa. E, mesmo com tudo isso, se eu não souber o que fazer e alguma situação, eu vou te pedir ajuda, eu vou te pedir orientação, como sempre. Eu já tenho 29 anos e a única coisa que falta agora é ter minha liberdade.
Sei que, enquanto eu estiver morando contigo, as regras são tuas. A casa é tua e é tu que sabe o que deve ou não acontecer lá dentro. Por isso vou SEMPRE respeitar e te dar satisfação das coisas que faço. A vida toda já faço isso exageradamente, inclusive.
O apartamento, eu comprei no intuito de alugar, para ter uma renda extra (mais uma prova de que não jogo meu dinheiro fora e sou uma pessoa responsável), mas por causa deste sufocamento que eu sinto, quando o apartamento estiver pronto, eu provavelmente irei morar lá. Irei fazer as minhas regras, os meus horários, e controlar a minha liberdade.
Isso não significa que eu quero me afastar, portanto, não faça drama. Isso significa apenas que eu quero dar mais um passo em relação as minhas responsabilidades, que eu quero aproveitar essa oportunidade e aprender, porque tem coisas, Mãe, que não se ensinam. Essas coisas a gente tem que aprender sozinha, cada um com suas experiências, e eu quero ter oportunidade de ter as minhas, assim como, eu tenho certeza, tu teve as tuas. E tu também precisa se libertar de mim, parar de viver por mim.
Antes de tu se revoltar, de ter crise de choro, de ficar doente por causa do estresse em consequência de tudo que eu disse aqui, eu peço que tu te acalme. Essas coisas eu tento falar contigo faz muito tempo, uns 5 anos pelo menos, eu acho. Em todas as nossas discussões e conversas eu tentei explicar, mas tu nunca entende. Ou entende e, mesmo assim, não consegue me soltar. Tu não consegue se desligar do cordão umbilical que um dia nos prendeu.
Nestes textos espíritas que leio, vi outro dia uma frase que dizia assim: “A hora mais escura é sempre antes do amanhecer. Quando você estiver por um fio, com tudo contra você, e quando sentir que não aguenta mais nem um minuto, essa é a hora de não desistir, porque esse é o momento em que a luz está prestes a ser revelada.” (site De Coração a Coração). E é nisso que eu me apego desde então. Quando acontece alguma coisa ruim, eu penso e acredito que esta coisa apareceu na minha vida para que outra coisa melhor e mais bonita possa acontecer. E se prestar bem atenção, é assim que tem acontecido com meu trabalho, com o dinheiro, com minha saúde...
É assim que tu tem que pensar, minha mãe amada. Para de ficar doente pelo estresse e para de passar tua vida se preocupando exageradamente e desnecessariamente comigo. Te acalma! O medo e a dúvida atrapalham, pioram e desanimam. Tu tem sempre que pensar nas coisas boas, no que quer viver, no que quer de bom. Por mais que as coisas demorem, tudo tem um motivo. Tu sempre me dizia que “Deus escreve certo por linhas tortas”, tu parou de acreditar nisso também? O que tu cria nos teus pensamentos, tu manifesta na tua vida e, por tu viver com estresse e preocupações, está sempre cheia de alergias, dores e problemas.
Eu te amo, mãe, e tu sabe disso. Eu não preciso falar isto todos os dias por que isso eu sinto no meu coração, e sei que tu também sente. Eu quero te ver completa e feliz, mas nós precisamos entrar em um acordo: eu preciso da minha liberdade, e tu quer controlar tudo na minha vida. Se continuar assim vamos brigar, discutir, ficar doentes e cansadas mentalmente. E nenhuma de nós precisa disso, né?! Então, mãe amada, tu me diz o que eu preciso fazer para te ajudar porque, da minha parte, a única coisa que eu preciso é um pouco mais de liberdade. Eu tive vontade de escrever, de expressar as coisas que eu sinto, por isso escrevi. Me diz o que mais eu posso fazer, além de todas as coisas que eu já faço, para que tu fique mais calma e pare de se preocupar.
Eu quero teu bem, e parece que eu existir não te faz bem, porque tu vive por mim. Te admiro, mãe, e te amo. Te amo mais que tudo neste mundo. Vamos nos ajudar?

Tua filha que te ama muito.

Vanessa.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

SOLTEIRICE

Fico pensando em algumas pessoas que são absolutamente empenhadas em argumentar com outras sobre que todos devem namorar, casar, ter filhos e bichinhos de estimação. Pensei nisto porque estou sob algumas perspectivas vãs de que uma mulher não pode apresentar para sua família um homem como sendo somente um “amigo”, e me sinto enfurecida com esse ponto de vista.
O que pode haver de tão errado em uma mulher ou homem de 20, 25, 30 ou 50 anos querer sair, conhecer pessoas diferentes, fazer novos amigos e, talvez, se deixar envolver por uma noite, sem qualquer compromisso? Ou o que pode existir de tão maléfico em conhecer alguém interessante e querer passar um pouco mais de tempo com essa pessoa, sem que isto se torne uma obrigação?
Acho incrível como as pessoas tendem fantasiar acontecimentos e histórias a respeito da vida dos outros. Inúmeras pessoas me rotularam com o passar do tempo, por eu ficar simplesmente solteira. Alguns disseram ser culpa de um relacionamento passado, outros me apontaram como lésbica. Talvez ainda tenham surgido boatos do tipo “ela deve ser uma vagabunda” ou então, “uma pessoa de difícil convivência” e sabe-se lá o que mais podem ter fofocado pelos cantos.
Ah, se soubessem que tudo é muito mais simples do que parece! Ora, sou uma mulher beirando os 29 anos, solteira e muito bem resolvida, que adoro minha própria companhia e, até o momento, não encontrei motivos suficientes para abrir mão da minha liberdade.
Acho lindo quando pessoas encontram sua alma-gêmea aos 15 anos, se casam, tem filhos e, num belo dia de chuva, o amor acaba e vai cada um para seu canto (tão somente para fazerem tudo de novo). São corajosas e eu admiro isso.
Compreendo pessoas que lutam diariamente para encontrar seu eterno amor e é muito bonito quando, um amor após o outro, continuam travando batalhas. Em contraposição, também admiro aquelas que se separam de seus “amores” e resolvem aproveitar a vida de forma totalmente diferente do que estavam acostumadas, afinal, cada um sabe o que é melhor para si.
Eu, no entanto, estou puramente aprendo mais sobre meus próprios hábitos, sonhos, tempo e criando minhas bases de vida. Estou vivendo a solteirice da maneira que convém.
Simplesmente fiz minha escolha. Obviamente posso, por ironia do destino, encontrar um homem que me faça querer mudar completamente minha opção de liberdade para um compromisso (e talvez eu queira isso), mas este cara ainda não apareceu. Ou apareceu, mas não era tão perfeito como eu imaginava; ou unicamente pensei “foda-se o mundo”. O fato é: não faz a menor diferença e ninguém tem absolutamente nada com isso.
Apenas pensem que as pessoas são diferentes umas das outras. Cada indivíduo tem sua personalidade, seus objetivos e sonhos. Feliz daquele que busca suas próprias conquistas sem tentar obrigar os outros a seguir o mesmo caminho.
Acreditem: a vida á fácil, a gente é quem complica.


Vanessa Fiorenza
24 de julho de 2014

domingo, 8 de junho de 2014

Conectando-me ao Eu: sendo feliz.

Nós aprendemos na vida que temos que ser responsáveis, estudar, trabalhar, ganhar dinheiro e ter uma vida farta. Alguns ainda aprendem que devem se casar, ter filhos e viver na “mesmisse” que a sociedade impõe. Mas onde fica nossa felicidade? Nossa paz?
Na verdade, não é bem assim que deve acontecer; temos que mudar a forma como vemos as coisas. Muitos sabem que os momentos em que mais aprendemos é quando estamos em fase de sofrimento: nas grandes perdas, dores, doenças... Nos momentos de medo em que nos conectamos com nosso Eu e descobrimos o que realmente queremos nessa vida.
Feliz daqueles que se descobriram e que já vivem na paz por saberem quem são. Alegrem-se vocês que podem usar seu conhecimento científico para um bem comum e realização pessoal. Que conseguem ajudar e compartilhar o conhecimento. Que são humildes, sinceros e ainda acreditam em um mundo melhor.
As pessoas já se cansaram de ouvir que “dinheiro não traz felicidade” e muitas já agem de forma a trazer a felicidade para suas vidas além dos bens materiais: sonhos que se realizam, dons que despertam e alegrias que renovam o espírito.
Eu encontro a minha felicidade em pequenas coisas: ela está no cheiro de terra molhada, no barulho do vento e nas gotas de chuva. Está nos dias iluminados pelo sol, na luz das estrelas e na paz da lua. É cada amanhecer com saúde, o canto dos pássaros, as flores que dão cores ao mundo, animais e nas boas energias.
Se prestarmos atenção, se ficarmos em silêncio e observarmos com carinho, há muito mais beleza por aí do que podemos imaginar. Existe sim, muito ainda para melhorar, mas quando cada um aprende que a felicidade está em tudo, no Agora, a vida será muito mais leve. Sinta-se agradecido.
Sem dúvida, a Felicidade é o mais importante! Se alguém não é, ainda dá tempo. Sempre há tempo. Forme-se naquilo que te faz bem e trabalhe com o que te traz motivação. Que o dinheiro seja o suficiente. Batalhe para realizar teus sonhos honestamente, pois o melhor momento deles é o da realização.
Descobri, no meu Eu, que devo amar a todas as pessoas, pois a minha maior paz está no amor. Esta é a minha maior felicidade.
E a tua?

A vida é simples, a gente é quem complica.

Vanessa Fiorenza

08 de junho de 2014.