segunda-feira, 16 de abril de 2012

FELICIDADE

Veja só, estava eu caminhando na rua, pensando na vida quando vi uma família reunida num passeio feliz. Eram pai, mãe e dois filhos. As crianças riam cantando musicas que provavelmente haviam aprendido na escola, enquanto os pais, abraçados, se divertiam assistindo encantados a evolução dos meninos. Os quatro compartilhavam de uma felicidade transbordante.
Enquanto eu continuava minha caminhada, não muito longe dali observei um mendigo. Pobre homem triste. Deitado em trapos, abraçado em uma garrafa de aguardente, falando consigo mesmo em palavras quase incompreensíveis sobre um cara safado que rouba a mulher do amigo.
Foi então, comparando estes dois extremos, que pude entender o real significado de felicidade. Daquele momento, passei a pensar no quanto o pobre senhor de rua um dia teve uma infância, e como teria sido essa infância, passando pela adolescência até chegar à fase adulta como morador de rua. E o que a sociedade pode ter imposto a ele que o tornasse tão diferente do pai da família que se divertia a alguns metros dele?
Bom, antes de eu falar sobre o que entendi sobre felicidade, tenho que falar um pouco de quem sou, de como foi a minha vida. Posso garantir que foi só comparando as duas cenas que pude descobrir que poucas vezes fui feliz.
Meu nome é João. Nascido de família pobre, tive a oportunidade de ganhar todo amor de meus pais. Acontece que nunca fui um menino muito esperto. Tive uma ótima educação em que os princípios foram os melhores, partido de não ser grosseiro e jamais passar cima de ninguém. Acabei me ralando a vida inteira. Eu, quando criança apanhava dos colegas, mas na época não existia o bulling, e eu era obrigado a voltar para escola todos os dias. Sempre ficava de lado na maioria das brincadeiras.
Eu era zoado também na adolescência. Sempre o pateta da turma. Nas festas, nunca me dava bem com as meninas. Comecei a trabalhar, fiz faculdade, tive ótimas oportunidades de conhecer pessoas novas e no fim, me dei bem. Mas falta sempre algo para me deixar completo.
Não pense você que isso signifique que eu seja um cara deprimido, daqueles tipo os adolescentes de hoje, os Emo’s. Muito pelo contrario, sou alegre, dedicado, gentil e de bom humor. Não posso dizer que sou um “pobre coitado”, isso, posso garantir, é o mendigo que talvez tenha largado tudo pela tristeza de perder um amor para o amigo.
A questão que me coloquei para entender a felicidade foi, ao comparar aquela família alegre com aquele pobre mendigo, entrar na história questionando o quanto fui feliz ao longo da minha vida e, por isso, tive de colocar um pouco dos meus pontos negativos em pauta. O fato é que eu precisava mostrar que não há como alguém ser completo se sempre há algo que o deixa triste.
Pense: por mais uma criança tenha todo amor dos pais, como ela vai ser completa se não tem amiguinhos na escola? Como um adolescente taxado de pateta consegue se dar bem sem ficar pensando o que os outros pensam dele? Como estar alegre sem ter um amor correspondido? Como estar em paz em meio a tantas guerras? Como ser feliz sem ser completo?
Vendo aquela família tão completa, tão alegre, me perguntei: o que é ser feliz? Pareceu-me que aqueles pais e filhos com, provavelmente, todas as conturbações normais de uma família, e seus possíveis problemas no trabalho ou com terceiros, eram completos. Bastava estarem ali, reunidos, compartilhando um belo momento alegre entre amores que eles tinham tudo.
Isso é ser feliz: aproveitar no extremo cada oportunidade de amar, viver o sonho realizado, a sensação do trabalho cumprido. Pensando assim, fui feliz poucas vezes na minha vida; e por própria culpa. Eu sempre deveria ter me preocupado em melhorar, em me agarrar às oportunidades. Assistindo àquela família tão completa, vi que não devo mais deixar para fazer depois o que tenho a oportunidade de fazer agora, principalmente de corrigir os erros, mesmo que sejam os do passado.
Hoje, não posso dizer que sou completo, nem o quanto sou feliz, mas uma coisa é certa: vou buscar minha felicidade. Vou ao encontro dos meus amores, dos meus amigos, dos meus sonhos e ideais. Jamais desistirei ou aceitarei os conflitos perdidos como o morador de rua parecia ter aceitado e desistido de si próprio.
Nunca é tarde para ser feliz, e eu estou em busca da minha felicidade em cada dia vivido.


Vanessa Fiorenza
Escrever me faz feliz.

16 de abril de 2012