sexta-feira, 25 de maio de 2012

DE VOLTA AO PASSADO

Hoje estive pensando na minha infância... Naquele tempo mágico, cheio de diversão e felicidade que não volta mais. Inocência, doçura, travessura, amizades, carinho, amor...
O estranho foi prestar atenção no meu pensamento. Foi prestar atenção no quanto uma música pode nos levar a lugares inimagináveis ou até lugares muito presentes em nossas mentes.
Naquela época da minha infância, lembro-me de criar histórias de máquinas do tempo e, o que eu não esperava, é que minha própria mente pudesse ser essa máquina, e que pudesse me levar de volta ao passado de uma forma tão real.
Foi tão simples...
Eu estava assistindo ao remake que está sendo exibido no SBT,da novela Carrossel. Ora, quem assistiu a primeira versão lembra-se o quão amável era o Cirilo, a meiguice da Professora e da música de abertura. Essa música foi a chave para o meu passado esta noite.
Surgiu em minha mente como se eu estivesse ali, vendo tudo... éramos pobres; meu pai trabalhava em obra e minha mãe ficava em casa para cuidar de mim. Não tinha quase casas no nosso bairro e a minha família era a mais feliz do mundo.
Meu guarda roupas laranja sendo devorado pelos cupins... tão pequeno, tão mimoso. Meu berço era feito de vime, e eu já não cabia mais nele. E nosso quarto, sim, “ nosso”: dormíamos nós três onde mais tarde seria a sala. O chão de piso cru, úmido e frio e ao mesmo tempo era tão aconchegante. Tínhamos tudo, pois éramos nós três: meu pai, minha mãe, e eu.
Como eu não cabia mais no berço, e meus pais não tinham dinheiro para comprar uma caminha, meu pai fez uma cama para mim. E o tanto amor depositado nela, a fez durar até hoje. Sim, é a minha cama! A cama em que durmo todos os dias.
E a música continuava a tocar, e a maquina do tempo me levava a cada vez mais cenas deste passado de uma época completa. O cachorro Rabito do meu pai, as comidinhas deliciosas da minha mãe, as artes seguidas das palmadas de ambos... Tanto amor.
E em segundos a musica acabou. A maquina do tempo foi desligada, e eu voltei ao mundo atual. Um mundo em que meu pai não está mais comigo, em que a inocência não faz mais parte do dia a dia, em que as brincadeiras de esconde-esconde não existem mais.
É! O passado não volta, mas as lembranças ficam guardadas para sempre em nossas mentes. Graças a estas lembranças, que podemos crer que assim como há bons amigos que se vão, novos e melhores entram na nossa história. Bem como há pessoas que amamos que nos deixam, aprendemos a lidar com a saudade. Há vitórias e derrotas constantes. Enfim, muito aprendemos com o tempo e com nossas experiências do passado gravadas em nossas lembranças.
O que não posso admitir é que aquela felicidade e vida completa, não voltem a existir. Ninguém deve admitir. Jamais será a mesma história, mas pode ser uma história nova tão completa e feliz quanto.
Voltar ao passado me fez pensar no carinho que tenho que dedicar àqueles que amo, nas atitudes boas que devo ter com a minha vida e com a dos que eu quero bem além da doçura que devo tratar as outras pessoas. O tempo não volta, mas posso fazer um futuro tão mágico quanto o da minha infância.
Acreditar é o primeiro passo.
A vida é fácil, a gente é quem complica.

Vanessa Fiorenza
25 de maio de 2012

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